Brazilian Journal of Anesthesiology
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Brazilian Journal of Anesthesiology
20th February, 2020

BJANcast entrevista Dr. Fernando Abelha sobre cuidados com pacientes muito idosos nas UTIs

No último dia 7, o BJANcast entrevistou o Doutor Fernando Abelha, do Hospital de São João, que fica na cidade de Porto, em Portugal, para falar sobre seu artigo, “A população cirúrgica muito idosa na terapia intensiva: características clínicas e desfechos” – que já está disponível em Ahead of Print (versão pré-proof) aqui em nosso site  –  e será divulgado na no Número 1, Volume 70, da Brazilian Journal of Anesthesiology.

Durante a entrevista que ocorreu via Skype, Dr. Fernando Abelha discorreu sobre pontos importantes de seu trabalho. O especialista esclareceu diversos aspectos sobre o cuidado com pacientes idosos e muito idosos, e comentou sobre a qualidade de vida em Portugal, que é superior à brasileira.

Curiosamente, o médico afirmou que os avanços obtidos na área da saúde no país são recentes. A dificuldade que as populações mais idosas tinham para encontrar centros de saúde deixou de ser uma difícil realidade há pouco. Essa população, hoje tem acesso a mais hospitais públicos, particulares e clínicas, além de médicos de família – semelhante aos moldes brasileiros, que algumas prefeituras, como a de São Paulo, oferece aos munícipes.

A grande maioria dos idosos chega aos centros médicos por conta de traumas, esclareceu o médico. Objeto de estudo do trabalho, os grupos de idosos em UTIs, são “doentes cirúrgicos” que não foram ao hospital por razões médicas como infarto etc.

Nas UTIs, o médico trouxe como resultado que a taxa de mortalidade do grupo de idosos é de 5,4% – que é considerada baixa e dentro do esperado pelo especialista – e já para o grupo de muito idosos (GMI) a taxa de mortalidade dispara para 14%, quase o triplo.

Apesar de parecer homogêneo, o grupo dos “muito idosos”, tem uma particularidade quando comparado ao de “apenas idosos”. A maioria dos membros que compõe o primeiro citado por mim grupo são mulheres, característica diferente do grupo de “apenas idosos”, onde a maioria é composta por membros do sexo masculino. As mulheres, portanto, ultrapassam os homens, atingindo uma idade maior. Elas tendem a passar por mais procedimentos cirúrgicos nesta etapa de vida, apenas pelo fato de alcançarem idade avançada, não como erroneamente foi questionado, se o sexo feminino é mais propenso a doenças.

Quanto à população global, é notável que ela está envelhecendo cada vez mais, com a chance de a população com mais de 80 anos triplicar em 30 anos. Portando o cuidado com idosos se faz cada vez mais presente e importante nos hospitais, e a necessidade de estudos que abordem este tipo de paciente também e faz mais urgente.

Os dados que apontam a afirmação acima, que os “muito idosos”, lembrando que são aqueles com 80 anos ou mais, poderá quadruplicar até 2050 (daqui 30 anos), podem ser conferidos no site da Organização das Nações Unidas, (ONU), que você pode ter acesso aqui.

Vale lembrar também que a taxa de natalidade está cada vez menor na maioria dos países – inclusive no Brasil e de maneira mais acentuada em Portugal. Logo teremos um país velho e políticas públicas devem ser pensadas em como se adequar a essa nova realidade. Mas isso é assunto para outro texto, não vamos entrar em detalhes sobre previdência, ou propriamente estruturas hospitalares no futuro.

Quando questionado sobre se a população tem envelhecido de maneira ruim, quis dizer, “menos saudável”, o autor do artigo foi enfático ao afirmar que não, “apenas o fato de envelhecer já implica melhor saúde. Além do mais, hoje em dia, pode-se fazer procedimentos para melhorar a qualidade de vida”.

Na questão sobre a qualidade do envelhecimento da população, o autor do artigo foi enfático ao afirmar que a população não está envelhecendo de maneira “ruim”, ou “sem qualidade”. Como apontou o dr. Abelha, “apenas o fato de envelhecer já implica melhor saúde. Além do mais, hoje me dia, pode-se fazer procedimento para melhorar a qualidade de vida e fazer procedimentos para problemas que forem ocorrendo durante a vida”.

Sobre os cuidados que pacientes dessa idade requerem, são mais vigorosos que para com pacientes mais novos. A postura do Anestesista, que é considerado o médico perioperatório, para com para pacientes idosos, deve ser de cuidado redobrado. O monitoramento se faz ainda mais importante, quase como que monitoramento real time, batida por batida do coração. Mas é importante para o profissional saber que hoje me dia não há tantos impedimentos para a cirurgia em idosos que havia anos atrás. O cuidado com pacientes com mais idade, apenas difere de um paciente novo pela assiduidade e o redobramento de atenção aos dados obtidos nos exames, o que indefere do cuidado com pacientes mais novos.

Cuidar de idosos na mesa de cirurgia é desafiador, mas o cuidado que eles querem no pós- cirúrgico merece atenção especial, principalmente com sangramentos ou outras complicações.

População mais idosa, maior contingente nas mesas de cirurgia e doenças mais controladas, podem ser eventos que podemos esperar com mais frequência no futuro.

Ficou interessado?

Ouça a entrevista no BJANcast. Lembrando que o programa está disponível nas principais plataformas de podcast, Spotify e Apple Podcasts. Não é necessário assinar nenhum desses serviços para ouvir nosso programa. É só clicar no link e aproveitar.

https://open.spotify.com/episode/4ii2iIFE1NCgnuNEcCA6A8

https://podcasts.apple.com/br/podcast/bjancast/id1495219196?i=1000466160968

 

Braz. J. Anesthesiol.

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